Saúde Social está entre as 100 tendências globais do The Future 100: 2026

Saúde Social está entre as 100 tendências globais do The Future 100: 2026

Saúde Social está entre as 100 tendências globais do The Future 100: 2026 e entra na agenda das empresas em um momento marcado por inteligência artificial, mudanças nas formas de trabalhar e, ao mesmo tempo, pelo aumento da preocupação com solidão, isolamento e qualidade das relações humanas. O relatório internacional The Future 100: 2026, produzido pela VML Intelligence, incluiu a Saúde Social, Social Health, como a tendência número 82 entre 100 transformações com potencial para influenciar negócios, cultura e comportamentos.

A inclusão do tema em um relatório de tendências empresariais não cria o conceito de Saúde Social nem substitui sua fundamentação científica. Entretanto, revela algo importante: conexão, pertencimento e comunidade começam a ultrapassar os debates especializados em saúde e a ocupar também a agenda estratégica das organizações.

O que é Saúde Social?

Saúde Social diz respeito à possibilidade de estabelecer, manter e participar de relações que ofereçam pertencimento, reconhecimento, apoio, reciprocidade e sentido de comunidade.

Portanto, não significa simplesmente estar cercado de pessoas. Alguém pode conviver diariamente com colegas e, ainda assim, sentir-se isolado, desconsiderado ou sem uma rede de apoio.

Para compreender melhor o conceito, também é importante diferenciar alguns termos. 

Conexão social está relacionada à estrutura, à qualidade e às funções das nossas relações. 

Isolamento social, por outro lado, corresponde a uma condição mais objetiva, marcada pela existência de poucas relações ou interações. 

Já a solidão representa uma experiência subjetiva, que aparece quando existe uma diferença entre as relações que temos e aquelas de que necessitamos.

A Saúde Social, por sua vez, envolve a capacidade de viver relações suficientemente seguras, respeitosas e significativas, participando de comunidades nas quais seja possível oferecer e receber apoio.

Por isso, essa dimensão não está separada da saúde física ou mental. Pelo contrário, elas se relacionam continuamente.

Saúde Social ganha reconhecimento internacional

A crescente atenção à Saúde Social não começou no ambiente empresarial.

Em junho de 2025, a Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde publicou o relatório From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies.

Segundo o conteúdo-base, o documento reconhece a solidão e o isolamento social como fenômenos amplos e aponta consequências para a saúde, o bem-estar e a sociedade. Além disso, os dados apresentados indicam que aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo vivencia solidão.

As evidências reunidas ao longo das últimas décadas também mostram associações entre relações sociais, isolamento, solidão e saúde.

Isso não significa, contudo, que a conexão social seja uma resposta simples para problemas complexos. Significa reconhecer que as condições relacionais da vida também precisam entrar nas discussões sobre promoção da saúde, prevenção e qualidade de vida.

O trabalho é um espaço central para a Saúde Social

Para grande parte da população adulta, o trabalho ocupa uma parcela significativa da vida. Além disso, organiza rotinas e constitui um dos principais espaços de convivência.

Nesse ambiente, podemos encontrar reconhecimento, cooperação, identidade, pertencimento e redes de apoio.

Entretanto, também podemos encontrar isolamento, conflitos destrutivos, assédio, discriminação, falta de reconhecimento e competição excessiva.

Por isso, falar em Saúde Social nas empresas não significa apenas promover encontros, confraternizações ou ações de integração.

É necessário olhar para a maneira como o trabalho acontece.

Como as pessoas são lideradas? Existe cooperação? Os conflitos são enfrentados com respeito? Há espaço para pedir ajuda? As pessoas participam das decisões que afetam seu trabalho? Existe confiança entre equipes e lideranças?

Essas perguntas colocam as relações humanas no centro da discussão sobre organizações mais saudáveis.

O que é o The Future 100?

O The Future 100 é um relatório anual produzido pela VML Intelligence para identificar tendências capazes de influenciar comportamentos, mercados e organizações.

Em 2026, o relatório chegou à 12ª edição e reuniu tendências relacionadas à cultura, tecnologia, viagens, marcas, marketing, alimentação, beleza, varejo, luxo, saúde e inovação.

A edição foi construída a partir de pesquisa quantitativa, consulta a especialistas e interpretação estratégica. De acordo com o material-base, participaram 15.639 adultos de 16 mercados, incluindo o Brasil, além de mais de 60 especialistas globais.

Saúde Social entre as 100 tendências globais

Na edição de 2026, Social Health aparece como a tendência número 82.

Ao apresentá-la, a VML destaca que a força das relações e o senso de comunidade estão sendo reconhecidos como componentes importantes da saúde. Além disso, segundo o relatório, 70% dos participantes da pesquisa global consideram a solidão uma epidemia.

O relatório também chama atenção para a valorização da conexão humana em um cenário cada vez mais atravessado pela inteligência artificial e pela integração entre experiências físicas e digitais.

Esse movimento é significativo.

Relacionamentos e comunidade deixam de aparecer somente como fontes de satisfação pessoal. Agora, também começam a ser considerados nas discussões sobre saúde, comportamento e estratégia.

Por que essa tendência importa para as empresas?

A presença da Saúde Social entre as tendências do The Future 100: 2026 ajuda a mostrar uma mudança de agenda.

A qualidade das conexões humanas começa a entrar em discussões relacionadas à cultura organizacional, liderança, experiência dos trabalhadores, espaços físicos e digitais, saúde, bem-estar e modelos de trabalho.

Consequentemente, uma pergunta se torna cada vez mais estratégica:

Que tipo de relações nossas formas de trabalhar estão produzindo?

Uma organização pode estimular cooperação ou competição permanente. Pode favorecer confiança ou medo. Pode criar pertencimento ou isolamento. Além disso, suas práticas de gestão podem oferecer suporte ou ampliar condições de sofrimento.

Saúde Social não é confraternização

Esse cuidado conceitual é especialmente importante quando um tema humano passa a ganhar espaço na agenda empresarial.

Promover Saúde Social não significa aumentar a quantidade de interações a qualquer custo.

Afinal, nem toda convivência produz vínculo. Nem toda atividade coletiva gera pertencimento. Da mesma forma, nenhum programa de integração consegue, sozinho, transformar relações de trabalho marcadas por sobrecarga, humilhação, comunicação hostil, isolamento ou assédio.

Uma empresa pode promover inúmeros encontros e, simultaneamente, manter práticas organizacionais que enfraquecem suas relações.

Portanto, precisamos olhar para a qualidade dos vínculos e, sobretudo, para as condições organizacionais que os sustentam.

As pessoas conseguem pedir ajuda sem medo? Os conflitos são tratados de maneira respeitosa? Existe suporte diante das dificuldades? O trabalho favorece cooperação? A organização enfrenta efetivamente situações de assédio e violência?

Saúde Social, riscos psicossociais e NR-1

No Brasil, essa discussão ganha ainda mais relevância diante da atenção aos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1.

Sobrecarga, assédio, falta de suporte, baixa clareza de papel e problemas relacionados à organização e à gestão do trabalho estão entre os fatores que precisam ser observados.

Nesse contexto, a Saúde Social amplia a compreensão sobre prevenção porque nos ajuda a perceber que as relações também fazem parte das condições concretas em que o trabalho acontece.

Como levar a Saúde Social para a estratégia?

Transformar Saúde Social em prática exige atuar em diferentes dimensões da organização.

Na cultura organizacional, respeito, cooperação e confiança precisam existir no cotidiano, e não somente nos documentos institucionais.

Nas lideranças, é necessário desenvolver competências relacionadas à comunicação, escuta, reconhecimento e gestão de conflitos.

Na organização do trabalho, metas, cargas, autonomia, processos de decisão e critérios de reconhecimento precisam ser observados também pelos efeitos que produzem nas relações.

Além disso, a gestão dos riscos psicossociais deve considerar aspectos como suporte social, conflitos e assédio.

Organizações podem fortalecer redes de apoio e espaços seguros de participação, desde que existam preparação, limites de atuação e fluxos responsáveis de encaminhamento.

Como o Instituto ConsCiência trabalha a Saúde Social?

A presença da Saúde Social no The Future 100 converge com uma perspectiva que orienta o trabalho desenvolvido pelo Instituto ConsCiência.

Partimos do entendimento de que promover saúde nas organizações exige mais do que intervenções individuais. Precisamos olhar também para os vínculos, para as condições de convivência e para a maneira como o trabalho é organizado.

Essa perspectiva está presente em iniciativas como o Cultura do Respeito, voltado à prevenção dos assédios e ao fortalecimento das relações; o método PARE. ESCUTE. ACOLHA., que desenvolve competências para presença, escuta e acolhimento responsável; e a formação de Multiplicadores do Cuidado e Brigadistas em Saúde Mental, que contribui para fortalecer redes internas de apoio.

Todas essas iniciativas partem de uma compreensão central:

Relações podem adoecer. Relações também podem cuidar.

Isso não significa transferir a responsabilidade institucional para os trabalhadores. Ao contrário, significa reconhecer que as organizações precisam criar condições para que relações respeitosas e redes de apoio possam existir, sem substituir políticas de prevenção, gestão e acesso a suporte especializado.

Cuidar das relações também é uma decisão estratégica

A presença da Saúde Social entre as tendências globais registra uma convergência importante.

A ciência vem investigando há décadas a relação entre conexões sociais e saúde. A OMS colocou a conexão social em sua agenda. As discussões sobre riscos psicossociais ampliam o olhar para as condições relacionais e organizacionais do trabalho. Agora, um relatório internacional direcionado à estratégia empresarial também coloca a Saúde Social entre as tendências a serem observadas.

Essas fontes possuem naturezas e graus de autoridade diferentes. Portanto, não devem ser confundidas. Ainda assim, quando observadas em conjunto, apontam para uma transformação relevante: a qualidade das relações humanas está deixando de ocupar um lugar periférico nas discussões sobre o futuro.

Em um cenário marcado por inteligência artificial, automação, trabalho híbrido e mudanças aceleradas, empresas preparadas para o futuro não serão apenas aquelas capazes de incorporar novas tecnologias.

Também precisarão preservar aquilo que existe de profundamente humano no trabalho.

Cuidar das relações é promover saúde, prevenir riscos e construir organizações capazes de permanecer humanas diante das transformações do futuro.

Conheça o trabalho do Instituto ConsCiência

O Instituto ConsCiência desenvolve programas, formações e metodologias voltados à Saúde Social, saúde mental no trabalho, prevenção dos riscos psicossociais e enfrentamento dos assédios.

Conheça nossas iniciativas e descubra caminhos para fortalecer relações mais respeitosas, redes de apoio e ambientes de trabalho mais saudáveis em sua organização.

Referências

VML Intelligence. The Future 100: 2026. 12ª edição. Relatório de tendências globais, publicado em janeiro de 2026.

VML Intelligence. The Future 100: Lifestyle Trends & Insights 2026. Apresentação da tendência nº 82, Social Health.

World Health Organization (WHO). From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies. Report of the WHO Commission on Social Connection. Genebra, 2025.

World Health Organization (WHO). Social isolation and loneliness. Dados e evidências sobre prevalência e impactos para a saúde.

World Health Organization (WHO). Mental health at work. Evidências e orientações sobre promoção e proteção da saúde mental nos ambientes de trabalho.

International Labour Organization (ILO). Psychosocial risks and mental health at work. Referências sobre organização do trabalho, relações interpessoais e riscos psicossociais.

Holt-Lunstad, J.; Smith, T. B.; Layton, J. B. Social relationships and mortality risk: a meta-analytic review. PLoS Medicine, 2010.

Holt-Lunstad, J. et al. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality: a meta-analytic review. Perspectives on Psychological Science, 2015.

Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1 — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. 2026.

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