Riscos psicossociais no trabalho: OIT reforça a importância da prevenção

Riscos psicossociais no trabalho: OIT reforça a importância da prevenção

Os riscos psicossociais no trabalho ganharam protagonismo na agenda internacional de saúde e segurança ocupacional. Em publicação divulgada em 2 de junho de 2026, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reforçou que a prevenção das doenças ocupacionais precisa acompanhar as transformações do mundo do trabalho e incorporar fatores como saúde mental, inteligência artificial, mudanças climáticas e a qualidade das relações humanas nas organizações.

Segundo a OIT, “a prevenção deve permanecer no centro da ação”, ampliando o olhar para além dos riscos físicos tradicionais e reconhecendo que a forma como o trabalho é organizado também influencia diretamente a saúde dos trabalhadores.

Mais do que uma discussão voltada ao contexto europeu, o posicionamento dialoga diretamente com a realidade brasileira, especialmente diante da crescente atenção aos riscos psicossociais no trabalho e da atualização da NR-1.

O trabalho mudou. A prevenção também precisa mudar.

Durante décadas, a prevenção das doenças ocupacionais esteve concentrada principalmente na redução da exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos.

Esses riscos continuam fundamentais e exigem atenção permanente. Entretanto, as transformações no mundo do trabalho ampliaram a compreensão sobre o adoecimento ocupacional.

Hoje, sabe-se que problemas relacionados à organização do trabalho, aos estilos de liderança, às relações interpessoais, à sobrecarga, ao assédio, à violência e à ausência de apoio social também comprometem significativamente a saúde dos trabalhadores.

Por isso, os riscos psicossociais no trabalho passaram a ocupar posição estratégica nas discussões internacionais sobre saúde ocupacional.

O que são riscos psicossociais no trabalho?

Os riscos psicossociais no trabalho são fatores relacionados à organização, à gestão e às relações de trabalho que podem comprometer a saúde física, mental e social das pessoas.

Entre eles estão:

  • jornadas excessivas;
  • sobrecarga de trabalho;
  • pressão constante por resultados;
  • conflitos interpessoais;
  • assédio moral e sexual;
  • violência no ambiente de trabalho;
  • insegurança profissional;
  • falta de autonomia;
  • isolamento;
  • comunicação inadequada;
  • ausência de reconhecimento.

Quando persistem ao longo do tempo, esses fatores aumentam a probabilidade de ansiedade, depressão, esgotamento profissional, presenteísmo, absenteísmo e outros agravos relacionados à saúde.

A OIT propõe um novo olhar para a saúde ocupacional

Ao apresentar sua visão para os próximos anos, a Organização Internacional do Trabalho sintetizou essa mudança em uma afirmação significativa:

“As doenças ocupacionais, a saúde mental, a inteligência artificial e as mudanças climáticas devem orientar a futura agenda de segurança e saúde no trabalho.”

Essa declaração representa uma mudança de paradigma.

A proteção da saúde dos trabalhadores não pode mais estar restrita à prevenção de acidentes. Ela precisa considerar também os fatores humanos, relacionais e organizacionais que favorecem ou comprometem o bem-estar no trabalho.

Ambientes saudáveis também são construídos nas relações

Quando pensamos em saúde e segurança no trabalho, ainda é comum associarmos o tema apenas ao cumprimento das normas e à infraestrutura.

Esses aspectos continuam essenciais. Contudo, ambientes saudáveis também são construídos por meio do respeito, do diálogo, da cooperação, da confiança, da segurança psicológica e de lideranças preparadas para lidar com os desafios humanos presentes no cotidiano das organizações.

Além disso, prevenir significa identificar precocemente fatores de risco antes que eles se transformem em conflitos persistentes, afastamentos ou adoecimento.

Inteligência artificial e mudanças climáticas ampliam os desafios

Outro aspecto destacado pela OIT é que as rápidas transformações tecnológicas e ambientais também precisam integrar as estratégias de prevenção.

A inteligência artificial amplia oportunidades de inovação e produtividade. Entretanto, quando implementada sem considerar seus impactos humanos, pode aumentar a vigilância, intensificar o trabalho, reduzir a autonomia e ampliar a insegurança profissional.

Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas já produzem efeitos concretos sobre milhões de trabalhadores, aumentando vulnerabilidades físicas e psicossociais.

Preparar organizações para esse cenário significa desenvolver capacidade de adaptação sem perder de vista aquilo que permanece essencial: o cuidado com as pessoas.

O alerta da OIT dialoga diretamente com a NR-1

No Brasil, esse posicionamento converge com a atualização da NR-1, que reforça a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no trabalho como parte da gestão dos riscos ocupacionais.

Mais do que cumprir uma exigência legal, trata-se de reconhecer que saúde e segurança dependem também da qualidade das relações humanas.

Nesse contexto, fortalecer lideranças, prevenir assédios, promover segurança psicológica, desenvolver redes de apoio e investir em saúde social tornam-se estratégias fundamentais para organizações que desejam construir ambientes mais saudáveis.

O futuro do trabalho depende das escolhas feitas hoje

O posicionamento da OIT reforça uma compreensão que vem ganhando espaço em diferentes países: organizações saudáveis não surgem por acaso.

Elas são resultado de decisões conscientes sobre como o trabalho é organizado e sobre o valor atribuído às pessoas.

Colocar a prevenção no centro significa reconhecer que enfrentar os riscos psicossociais no trabalho é tão importante quanto prevenir acidentes físicos. Em um cenário de rápidas transformações, cuidar das relações, fortalecer culturas de respeito e promover saúde mental deixam de ser iniciativas complementares e passam a ser condições indispensáveis para o futuro do trabalho.

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A prevenção dos riscos psicossociais no trabalho também depende de pessoas preparadas para reconhecer sinais de alerta, oferecer acolhimento responsável e fortalecer uma cultura de cuidado nas organizações.

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Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT). Occupational disease prevention, mental health, AI and climate change should shape the future agenda on safety and health at work. Notícia publicada em 2 de junho de 2026.

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