Dia do Trabalhador e a reflexão sobre as condições de trabalho
No Dia do Trabalhador, refletir sobre o trabalho é refletir sobre saúde, relações e dignidade. Homenagear quem trabalha também exige pensarmos sobre as condições em que o trabalho acontece.
Em um cenário marcado por transformações aceleradas, hiperconectividade, insegurança laboral e intensificação das exigências profissionais, cresce o debate sobre os impactos do trabalho na saúde física e mental das pessoas.
Riscos psicossociais e impactos na saúde
O relatório “Na prática, como está o trabalho? – Os aspectos psicossociais do trabalho”, da Organização Internacional do Trabalho – OIT, publicado em 22 de abril de 2026, alerta que perdemos todos os anos mais de 840 mil pessoas devido a riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Entre os fatores destacados estão longas jornadas, assédio, violência, insegurança no trabalho e contextos de alta exigência associados à baixa autonomia.
Além disso, o relatório reúne evidências científicas que demonstram como esses contextos aumentam significativamente o risco de doenças cardiovasculares, AVCs e transtornos mentais, incluindo situações relacionadas ao suicídio.
Impactos sociais e econômicos do adoecimento no trabalho
Para dimensionar a profundidade desse cenário, os dados foram cruzados com informações globais da Organização Mundial da Saúde e do estudo Global Burden of Disease.
Assim, foi possível estimar não apenas o impacto humano do adoecimento e das mortes relacionadas ao trabalho, mas também seus desdobramentos sociais e econômicos.
Os resultados revelam perdas significativas de anos de vida saudável, impactos na qualidade de vida das pessoas trabalhadoras e efeitos diretos sobre a produtividade e a sustentabilidade econômica.
Portanto, o adoecimento no trabalho não afeta apenas indivíduos, mas também organizações e a própria sociedade.
O papel das relações no sofrimento no trabalho
No entanto, esses dados também nos convidam a ampliar a reflexão.
O sofrimento no trabalho não é produzido apenas pelo excesso de tarefas, pelas metas constantes ou pela pressão por resultados. Ele também está profundamente relacionado à forma como as relações se estabelecem no cotidiano organizacional.
Ambientes marcados pela ausência de escuta, pelo medo, pela insegurança, pela competitividade excessiva, pela falta de reconhecimento ou por práticas de violência e assédio fragilizam vínculos e intensificam o desgaste emocional das pessoas.
Saúde mental e saúde social no trabalho
Por isso, discutir saúde mental no trabalho implica também discutir saúde social.
A saúde social envolve pertencimento, qualidade das relações, reconhecimento, apoio coletivo, possibilidade de pedir ajuda e construção de culturas organizacionais mais humanas e sustentáveis.
Caminhos para ambientes de trabalho mais humanizados
O trabalho pode também ser fator protetivo em saúde mental através do pertencimento que olhar para a saúde social traz.
Portanto, torna-se cada vez mais necessário fortalecer práticas coletivas de cuidado, acolhimento e corresponsabilidade.
Assim, promover ambientes de trabalho mais humanizados passa, necessariamente, pela valorização das relações e pela construção de culturas organizacionais que priorizem o respeito, a escuta e o cuidado.